Mais uma coisa em que eu acredito. Acredito na ajuda espontânea às pessoas, sem esperar nada em troca, e nem uma tragédia para fazermos uma caridade. O mundo de hoje é muito falso, vazio, interesseiro e competitivo, feito de acordo com seu propósito: nossa evolução (afinal, como evoluiríamos em um mundo sem conflitos?). Nós, infelizmente, temos que estar sempre desconfiados de qualquer presente ou elogio que venha dos outros e até medo de quem ajudamos, e com razão. Quem realmente é necessitado, sem querer apenas para tirar proveito ou comprar drogas. Ou quem hoje oferece a mão sem querer nada em troca? Raríssimas pessoas. E são essas poucas que temos que preservar em nossas vidas! Tudo bem, existe a questão da sobrevivência, da educação, blablablas, mas também exite o caráter. Eu acredito que temos que ser verdadeiros com quem somos, com quem amamos, com quem nos relacionamos... Temos que agir de acordo com nossos ideais e convicções e fugirmos desse padrão egoísta (que pensa em si mesmo) e capitalista (tudo é válido com dinheiro no bolso), pois só assim estaremos em paz. Tudo para o ser humano hoje em dia tem que ter um recompensa, certo? Certo. A minha melhor recompensa é a moral [Da raiz latina mores = costumes, conduta, comportamento, modo de agir. É o conjunto sistemático de normas que orientam o homem para a realização do seu fim (essência)]. É essa paz temos com uma vida de valores verdadeiros.
No espiritismo (que eu acredito), a moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus. O homem se conduz bem quando faz tudo tendo em vista o bem e para o bem de todos, porque então tende a Deus. (O Livro dos Espíritos).
Nada melhor do que dormir tranquilo à noite, sem culpa, sabendo que você agiu exatamente da forma que desejou. Se não conseguiu, estamos neste mundo pra errar e aprender! Cada dia é uma nova chance de melhorarmos.
Esse é o meu mundo ideal. Sei que estou longe de alcançá-lo, mas tento fazer minha parte.
Vou colocar um texto do Centro Espírita Ismael que traduz bem o quero dizer:
PERFEIÇÃO MORAL
1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é refletirmos sobre o grau de perfectibilidade que somos capazes de alcançar nesta encarnação. Para tanto, veremos a questão dos vícios e das virtudes, o conhecimento de si mesmo e os caracteres do homem de bem.
2. CONCEITO
Perfeição – de perfectio designa o estado de um ser cujas virtualidades se encontram plenamente atualizadas ou realizadas. Em teologia, plena realização, sob o ponto de vista moral, consumação no bem que compete a cada um possuir e atuar. Assim: "Todo o homem é chamado à perfeição ou santidade".
Moral - Da raiz latina mores = costumes, conduta, comportamento, modo de agir. É o conjunto sistemático de normas que orientam o homem para a realização do seu fim (essência).
A moral é a regra da boa conduta e, portanto, da distinção entre o bem e o mal. Funda-se na observação da lei de Deus. O homem se conduz bem quando faz tudo tendo em vista o bem e para o bem de todos, porque então tende a Deus. (Pergunta 629 de O Livro dos Espíritos)
3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
O Espírito, quando é criado por Deus, traz em seu bojo o germe (potência) da perfeição. Allan Kardec, em O Livro dos Espíritos, ao estudar a Lei do Progresso — lei natural —, informa-nos de que todos os Espíritos, conscientes ou inconscientes, encarnados ou desencarnados, tendem para a perfeição.
Assim, todo o esclarecimento emanado de alguém, no sentido de estimular o nosso relacionamento em sociedade, deve ser sempre bem recebido, pois é através do contato com os outros seres humanos que temos condições de colocar em prática o conteúdo moral da Lei Divina.
No capítulo que trata da Lei de Sociedade, Kardec diz-nos que no isolamento absoluto o homem embrutece-se e se estiola.
Diante dessas orientações, todo o esforço despendido em prol do bem é um manancial que nos fortifica para toda a eternidade.
Por isso, a assertiva do Cristo: "Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito", deve permanecer como uma idéia central para este tema.
4. VIRTUDES E VÍCIOS
4.1. A VIRTUDE É MÉDIA JUSTA
Virtudes são todos os hábitos constantes que levam o homem para o bem, quer como indivíduo, quer como espécie, quer pessoalmente, quer coletivamente.
A virtude é uma disposição adquirida voluntária, que consiste na conduta racional de um homem ponderado. Ela ocupa, segundo Aristóteles, a média entre duas extremidades, uma por excesso, a outra por falta. Ela se situa no ponto mais elevado no que se refere ao bem e à perfeição.
Na teoria da utilidade marginal decrescente, o excesso de um bem transforma-se no seu oposto. Daí, diz-se que todo o excesso é prejudicial, tanto para o bem como para o mal. Exemplo: o excesso de orgulho transforma-se em humildade; o excesso de humildade transforma-se em orgulho. É dentro deste contexto que Aristóteles fala que devemos sempre percorrer o caminho do meio, do meio termo.
As virtudes apresentam-se como virtudes cardeais (adquiridas) – prudência, fortaleza, temperança e justiça e como virtudes teologais (dons infusos por Deus) – fé, esperança e caridade.
4.2. O VÍCIO É A AUSÊNCIA DA VIRTUDE
Os vícios são as ações que tendem para mal; as virtudes são ações que tendem para o bem. No estado atual de nossa evolução moral, parece que ainda precisamos do mal para melhor conhecer o bem. É preciso que haja uma desgraça pública para nos estimular a caridade para com o próximo. Não a entronizamos ainda dentro dos nossos corações.
Além do mais, em nossa ilusão, costumamos disfarçar o mal ao máximo, para que não se torne muito evidente. Nesse sentido, à gula damos o nome de necessidade proteínica; à lascívia chamamos necessidade fisiológica; a ira é embelezada com a expressão paradoxal: "cólera sagrada"; a cobiça é encoberta com a desculpa da previdência; a preguiça disfarçamos com a necessidade de repouso, quando não com a esperteza que faz os outros produzirem por nós.
4.3. RECOMPENSA E CASTIGO
Toda a ação boa, sendo coerente consigo mesma, traz um bem-estar, uma felicidade. Toda a ação má, ao contrário, gera um conflito e, por conseguinte, um mal-estar. Ela tem como conseqüência um castigo.
Muitas vezes, a coerência e a incoerência não são vistas de imediato, senão ao longo de muito tempo. Um exemplo é o vício do fumo. Suponha que tenhamos fumado por 20 anos, quando estávamos na flor da idade. Não sentíamos e não sofríamos as suas conseqüências. Mas, passados todos esses anos, os efeitos da nicotina e de outros poluentes começam a nos trazer problemas cardíacos e pulmonares, levando muitos seres humanos ao desencarne prematuro.
5. O CONHECIMENTO DE SI MESMO
5.1. A MAIÊUTICA SOCRÁTICA
Sócrates, filósofo grego da antiguidade, ao criar o método da introspecção, propôs-nos um exercício salutar para o conhecimento de nós mesmos. Disse-nos que o homem deve voltar-se para si a fim de tomar consciência de sua própria ignorância. Utilizava, para isso, a ironia e a maiêutica. Na ironia procurava confundir o interlocutor a respeito do conhecimento que ele pressupunha ter sobre um objeto qualquer; na maiêutica, que em grego quer dizer vir à luz, fazia brotar um novo conhecimento, mais fecundo e mais produtivo.
5.2. HERANÇA E AUTOMATISMO
O princípio inteligente estagiando no reino mineral adquiriu a atração; no reino vegetal, a sensação; no reino animal, o instinto; no reino hominal, o livre-arbítrio, o pensamento contínuo e a razão. Hoje, somos o resultado de toda essa herança cultural.
Nosso passado histórico propiciou-nos a automatização de hábitos e atitudes. É nossa herança, que começa desde o reino mineral. Há hábitos positivos e negativos. Os positivos devem ser incrementados; os negativos, extirpados. A função da reforma íntima, no seu sentido amplo, é melhorar o reflexo condicionado, arquitetado pelo nosso Espírito.
A lei do progresso exige que o princípio inteligente vá-se despojando dos liames da matéria. Para que tenhamos um olhar crítico, devemos libertar-nos da obscuridade da matéria, consubstanciada no egoísmo, no orgulho e no interesse próprio. (Xavier, 1977, p. 39)
5.3. COMO CONHECER-SE
De acordo com Peres, no capítulo I do seu Manual Prático do Espírita, podemos nos conhecer:
a) pela dor. A dor é teleológica e leva consigo um destino. Por ela podemos saber o que fomos e, também, o que tencionamos ser. Ela é sempre positiva; no sofrimento, estamos purgando algo ou preparando-nos para o futuro.
b) convívio com o próximo. Podemos avaliar-nos, observando as reações dos outros com relação às nossas atitudes.
c) auto-análise. A auto-análise fundamenta-se numa cosmovisão transcendental da vida. A compreensão integral do homem se apoia em três esteios fundamentais: filosófico: paz com a verdade; o psicológico: paz consigo mesmo; religioso: paz com o ser transcendental.
São técnicas que permitem o homem chegar a autenticidade de sua doença, não de tirar o homem da doença.
As questões 919 e 919A de O Livro dos Espíritos auxiliam-nos a praticá-la. Santo Agostinho sugere que todas as noites devíamos revisar o dia para ver como fomos em pensamentos, palavras e atos.
6. CARACTERES DO HOMEM DE BEM
O verdadeiro homem de bem é aquele que:
a) Pratica a lei de justiça, de amor e de caridade em sua maior pureza.
b) Tem fé em Deus, submetendo-se a sua vontade à Dele.
c) Tem fé no futuro; por isso, coloca os bens espirituais acima dos bens temporais.
d) Sabe que todas as vicissitudes da vida são provas ou expiações, e as aceita sem murmurar.
e) Possuído pelo sentimento de caridade, faz o bem pelo bem, sem esperança de recompensa, e sacrifica o seu interesse pela justiça.
f) É bom para com todos, porque vê irmãos em todos os homens, sem exceção de raças ou de crenças.
g) Em todas as circunstancias, a caridade é o seu guia.
h) Não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança.
i) É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência.
j) Não se compraz em procurar os defeitos alheios, nem em colocá-los em evidência.
k) Estuda as suas próprias imperfeições e trabalha, sem cessar, em combatê-las.
l) Aproveita sempre as ocasiões para ressaltar as qualidades dos outros, e não as suas.
m) Se Deus lhe deu o poder e a riqueza, olha essas coisas como um depósito do qual deve usar para o bem, e disso não se envaidece porque sabe que Deus, que lhos deu, também poderá retirá-los.
n) Se a ordem social colocou homens sob sua dependência, ele os trata com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa de sua autoridade para erguer-lhes o moral e não para esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que poderia tornar a sua posição subalterna mais penosa. (Kardec, 1984, cap. XVII, item 3)
7. CONCLUSÃO
Voltemo-nos para dentro de nós mesmos. Esta atitude, sendo constante, auxiliar-nos-á sobremaneira, a atingir a perfeição relativa de que somos capazes. Tomando consciência de nossa ignorância, como nos ensinou Sócrates, confiaremos mais em nossos valores, o que nos propiciará um relacionamento mais saudável com os outros membros da sociedade.
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
PERES, N. P. Manual Prático do Espírita. São Paulo: Pensamento, 1984.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.
KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.
XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1977.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Ansiedade
Afinal, por que somos tão ansiosos?
A ansiedade nada mais é do que antecipar algo que está por vir. Pode ser uma situação boa, do tipo o emprego dos sonhos, pode ser uma situação ruim (deu tudo errado, o que vai acontecer agora?), ou qualquer outra situação cotidiana.
Penso que quando o nível de ansiedade de uma pessoa é constante, como alguém que conta os minutos no trabalho para ir embora, ou se angustia com os dias que não passam até a viagem que só está programada para daqui há um ano, simplesmente não está tendo uma vida realizadora. O seu tempo não a está prendendo na realidade o suficiente para que ela possa simplesmente esquecê-lo. Isso porque ela está fantasiando uma vida fora dali, uma vida que possa lhe trazer mais liberdade, e com isso, um pouco de paz.
Quando o tempo está sendo bem aproveitado, ele é esquecido, o pensamento flui, junto com a vida...
O problema é que o nosso tempo individual muitas vezes não bate com o do mundo. As obrigações acabam nos roubando de nós mesmos.
Então, vale refletir em como estamos aproveitando a nossa vida. Estamos vivendo ou fantasiando estar em outro lugar? Caso estejamos insatisfeitos, o que fazer para mudar tudo? (Essa é uma resposta que só pode vir de nós). Lembrando que cada minuto contado também é um minuto perdido, ou vivido?
Segue a poesia do baiano Paulo Esdras que reflete bem o que quero dizer:
O Tempo
(Paulo Esdras)
O segredo do tempo é consumi-lo sem percebê-lo.
É fingir-se infinito para não o vermos passar
É fazer-se contar em anos em vez de momentos
Relógio, despertador, cronômetro, calendário
Tudo engodo para imaginarmos prendê-lo, controlá-lo
Ampulheta, único instrumento sincero do tempo
Regressivamente, nos impõe a gravidade
De haver realmente um último grão
Riscando na areia a nossa fragilidade
Mas o tempo é imparcial
Não distingue rico de pobre
Preto de branco, homem de mulher
Devora-se sem escolhas
Matar o tempo é matar-se sem sentido
Perdê-lo é viver em vão
Faz-se devagar nos maus momentos
Depressa quando o queremos
Ponteiro invisível da vida
Peça necessária do fim
A sua fome é insaciável
A sua vontade é determinante
A sua procura é unanime
Se esconde nas sombras que se movem
Nos objetos que não mais servem
Nas pessoas que nunca mais vimos
Na podridão das frutas que não foram colhidas
Nas lembranças já esquecidas
Revela-se nas fotos que se desbotam
Nas cartas que amarelam
Nas crianças que crescem
Nas rugas que aparecem
Deixa-nos a esperança de Pandora
Nas ações dos que virão
No nascimento dos rebentos
PS: Enquanto escrevi esse texto, não senti o tempo passar...
A ansiedade nada mais é do que antecipar algo que está por vir. Pode ser uma situação boa, do tipo o emprego dos sonhos, pode ser uma situação ruim (deu tudo errado, o que vai acontecer agora?), ou qualquer outra situação cotidiana.
Penso que quando o nível de ansiedade de uma pessoa é constante, como alguém que conta os minutos no trabalho para ir embora, ou se angustia com os dias que não passam até a viagem que só está programada para daqui há um ano, simplesmente não está tendo uma vida realizadora. O seu tempo não a está prendendo na realidade o suficiente para que ela possa simplesmente esquecê-lo. Isso porque ela está fantasiando uma vida fora dali, uma vida que possa lhe trazer mais liberdade, e com isso, um pouco de paz.
Quando o tempo está sendo bem aproveitado, ele é esquecido, o pensamento flui, junto com a vida...
O problema é que o nosso tempo individual muitas vezes não bate com o do mundo. As obrigações acabam nos roubando de nós mesmos.
Então, vale refletir em como estamos aproveitando a nossa vida. Estamos vivendo ou fantasiando estar em outro lugar? Caso estejamos insatisfeitos, o que fazer para mudar tudo? (Essa é uma resposta que só pode vir de nós). Lembrando que cada minuto contado também é um minuto perdido, ou vivido?
Segue a poesia do baiano Paulo Esdras que reflete bem o que quero dizer:
O Tempo
(Paulo Esdras)
O segredo do tempo é consumi-lo sem percebê-lo.
É fingir-se infinito para não o vermos passar
É fazer-se contar em anos em vez de momentos
Relógio, despertador, cronômetro, calendário
Tudo engodo para imaginarmos prendê-lo, controlá-lo
Ampulheta, único instrumento sincero do tempo
Regressivamente, nos impõe a gravidade
De haver realmente um último grão
Riscando na areia a nossa fragilidade
Mas o tempo é imparcial
Não distingue rico de pobre
Preto de branco, homem de mulher
Devora-se sem escolhas
Matar o tempo é matar-se sem sentido
Perdê-lo é viver em vão
Faz-se devagar nos maus momentos
Depressa quando o queremos
Ponteiro invisível da vida
Peça necessária do fim
A sua fome é insaciável
A sua vontade é determinante
A sua procura é unanime
Se esconde nas sombras que se movem
Nos objetos que não mais servem
Nas pessoas que nunca mais vimos
Na podridão das frutas que não foram colhidas
Nas lembranças já esquecidas
Revela-se nas fotos que se desbotam
Nas cartas que amarelam
Nas crianças que crescem
Nas rugas que aparecem
Deixa-nos a esperança de Pandora
Nas ações dos que virão
No nascimento dos rebentos
PS: Enquanto escrevi esse texto, não senti o tempo passar...
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