quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Ansiedade

Afinal, por que somos tão ansiosos?
A ansiedade nada mais é do que antecipar algo que está por vir. Pode ser uma situação boa, do tipo o emprego dos sonhos, pode ser uma situação ruim (deu tudo errado, o que vai acontecer agora?), ou qualquer outra situação cotidiana.
Penso que quando o nível de ansiedade de uma pessoa é constante, como alguém que conta os minutos no trabalho para ir embora, ou se angustia com os dias que não passam até a viagem que só está programada para daqui há um ano, simplesmente não está tendo uma vida realizadora. O seu tempo não a está prendendo na realidade o suficiente para que ela possa simplesmente esquecê-lo. Isso porque ela está fantasiando uma vida fora dali, uma vida que possa lhe trazer mais liberdade, e com isso, um pouco de paz.
Quando o tempo está sendo bem aproveitado, ele é esquecido, o pensamento flui, junto com a vida...
O problema é que o nosso tempo individual muitas vezes não bate com o do mundo. As obrigações acabam nos roubando de nós mesmos.
Então, vale refletir em como estamos aproveitando a nossa vida. Estamos vivendo ou fantasiando estar em outro lugar? Caso estejamos insatisfeitos, o que fazer para mudar tudo? (Essa é uma resposta que só pode vir de nós). Lembrando que cada minuto contado também é um minuto perdido, ou vivido?
Segue a poesia do baiano Paulo Esdras que reflete bem o que quero dizer:

O Tempo
(Paulo Esdras)

O segredo do tempo é consumi-lo sem percebê-lo.


É fingir-se infinito para não o vermos passar

É fazer-se contar em anos em vez de momentos



Relógio, despertador, cronômetro, calendário

Tudo engodo para imaginarmos prendê-lo, controlá-lo



Ampulheta, único instrumento sincero do tempo

Regressivamente, nos impõe a gravidade

De haver realmente um último grão

Riscando na areia a nossa fragilidade



Mas o tempo é imparcial

Não distingue rico de pobre

Preto de branco, homem de mulher

Devora-se sem escolhas



Matar o tempo é matar-se sem sentido

Perdê-lo é viver em vão



Faz-se devagar nos maus momentos

Depressa quando o queremos



Ponteiro invisível da vida

Peça necessária do fim



A sua fome é insaciável

A sua vontade é determinante

A sua procura é unanime



Se esconde nas sombras que se movem

Nos objetos que não mais servem

Nas pessoas que nunca mais vimos

Na podridão das frutas que não foram colhidas

Nas lembranças já esquecidas



Revela-se nas fotos que se desbotam

Nas cartas que amarelam

Nas crianças que crescem

Nas rugas que aparecem



Deixa-nos a esperança de Pandora

Nas ações dos que virão

No nascimento dos rebentos
 
 
PS: Enquanto escrevi esse texto, não senti o tempo passar...

Um comentário:

  1. Mto bom gata!
    Tb tenho mta agonia do tempo passar, mas acho que é o contrário de ansiedade. Justamente eu não quero que ele passe, e ele não pára. O futuro me aterroriza, saber que nada do que pisamos é realmente sólido e que tudo pode mudar a qualquer instante. Vou fazer um post sobre isso no meu blog tb =D
    Bjinhos!

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