Afinal, por que somos tão ansiosos?
A ansiedade nada mais é do que antecipar algo que está por vir. Pode ser uma situação boa, do tipo o emprego dos sonhos, pode ser uma situação ruim (deu tudo errado, o que vai acontecer agora?), ou qualquer outra situação cotidiana.
Penso que quando o nível de ansiedade de uma pessoa é constante, como alguém que conta os minutos no trabalho para ir embora, ou se angustia com os dias que não passam até a viagem que só está programada para daqui há um ano, simplesmente não está tendo uma vida realizadora. O seu tempo não a está prendendo na realidade o suficiente para que ela possa simplesmente esquecê-lo. Isso porque ela está fantasiando uma vida fora dali, uma vida que possa lhe trazer mais liberdade, e com isso, um pouco de paz.
Quando o tempo está sendo bem aproveitado, ele é esquecido, o pensamento flui, junto com a vida...
O problema é que o nosso tempo individual muitas vezes não bate com o do mundo. As obrigações acabam nos roubando de nós mesmos.
Então, vale refletir em como estamos aproveitando a nossa vida. Estamos vivendo ou fantasiando estar em outro lugar? Caso estejamos insatisfeitos, o que fazer para mudar tudo? (Essa é uma resposta que só pode vir de nós). Lembrando que cada minuto contado também é um minuto perdido, ou vivido?
Segue a poesia do baiano Paulo Esdras que reflete bem o que quero dizer:
O Tempo
(Paulo Esdras)
O segredo do tempo é consumi-lo sem percebê-lo.
É fingir-se infinito para não o vermos passar
É fazer-se contar em anos em vez de momentos
Relógio, despertador, cronômetro, calendário
Tudo engodo para imaginarmos prendê-lo, controlá-lo
Ampulheta, único instrumento sincero do tempo
Regressivamente, nos impõe a gravidade
De haver realmente um último grão
Riscando na areia a nossa fragilidade
Mas o tempo é imparcial
Não distingue rico de pobre
Preto de branco, homem de mulher
Devora-se sem escolhas
Matar o tempo é matar-se sem sentido
Perdê-lo é viver em vão
Faz-se devagar nos maus momentos
Depressa quando o queremos
Ponteiro invisível da vida
Peça necessária do fim
A sua fome é insaciável
A sua vontade é determinante
A sua procura é unanime
Se esconde nas sombras que se movem
Nos objetos que não mais servem
Nas pessoas que nunca mais vimos
Na podridão das frutas que não foram colhidas
Nas lembranças já esquecidas
Revela-se nas fotos que se desbotam
Nas cartas que amarelam
Nas crianças que crescem
Nas rugas que aparecem
Deixa-nos a esperança de Pandora
Nas ações dos que virão
No nascimento dos rebentos
PS: Enquanto escrevi esse texto, não senti o tempo passar...
Mto bom gata!
ResponderExcluirTb tenho mta agonia do tempo passar, mas acho que é o contrário de ansiedade. Justamente eu não quero que ele passe, e ele não pára. O futuro me aterroriza, saber que nada do que pisamos é realmente sólido e que tudo pode mudar a qualquer instante. Vou fazer um post sobre isso no meu blog tb =D
Bjinhos!